Muitas pessoas confundem alergia a proteína do leite de vaca (APLV) e intolerância à lactose. Quando surgem perguntas sobre o que pode e não pode comer nesses casos, eu sempre pergunto se a pessoa tem alergia a proteína do leite de vaca ou intolerância a lactose... Sim, tem diferença!
Intolerância a lactose é quando a pessoa tem uma capacidade reduzida de digerir a lactose (o carboidrato presente no leite). Neste caso, a pessoa tem pouca produção de uma substância chamada lactase... É a lactase que vai digerir a lactose. e quando se tem a deficiência da produção desta substância, a pessoa tem sintomas como: diarreias, cólicas, produção de gases e outros sintomas os quais suas causas precisam ser analisadas com supervisão de médicos, nutricionistas e outros profissionais da saúde.
A alergia a proteína do leite de vaca é diferente. Acontece quando o organismo da pessoa entende que as proteínas do leite (albumina e principalmente a caseína) são “estranhas” e então o sistema imune é ativado para produzir várias substâncias que provocam a alergia, assim como pode-se ter a insetos, ácaros, substâncias químicas etc. Quando isso acontece, o corpo reage com sintomas como o aparecimento de machucados avermelhados e inchados na boca e língua, dificuldade de respirar e falta de ar, enjoo, vómitos, dor abdominal, cólicas, diarreia, entre outros.
Como alguns sintomas são parecidos entre as duas doenças, torna-se difícil saber em qual situação a pessoa está. Será a partir da avaliação de exames clínicos, de laboratório, análise do diário alimentar, histórico familiar e natureza dos sintomas que o profissional de saúde conseguirá identificar o que realmente a pessoa tem.
É comum as pessoas acharem que sintomas como esses são causados apenas pela intolerância a lactose e, muitas vezes por conta própria, passam a consumir os produtos “sem lactose” disponíveis nos supermercados, por exemplo. Algumas vezes, essa atitude resolve, mas em outras não. Então a pessoa já conclui que é preciso retirar todo o leite, pois ela tem alergia a proteína do leite de vaca. Mas será?
Condutas assim não devem acontecer. O ideal é procurar profissionais de saúde habilitados (médico e nutricionista) para um diagnóstico e tratamento corretos.
Como deve ser a dieta?
A dieta adequada é individual. O certo é sempre buscar o profissional nutricionista, pois ele avaliará o seu caso e condições que se tem para o correto tratamento.
Aqui vão algumas orientações gerais:
Nos casos de a pessoa ter alergia a proteína do leite de vaca, o tratamento por meio da dieta é a retirada total de alimentos com proteínas do leite de vaca e a substituição por alimentos que vão promover uma alimentação e nutrição adequadas.
A dieta com retirada total do leite de vaca deverá conter alimentos fonte de proteína animal como carnes vermelhas e brancas. Também consumir alimentos fonte de cálcio como as verduras de cor verde escuro (brócolis, couve, espinafre, rúcula, etc), gergelim, aveia, amêndoas, feijão branco, grão de bico, “leites vegetais” (leite de soja e leite de amêndoas, por exemplo) e alimentos fonte de vitamina D, como: pescados (atum e salmão), leite de soja, ovos cozidos, entre outros.
As carnes vermelhas e brancas, os pescados, ovos cozidos e os vegetais de cor verde escuro podem ser consumidos no almoço e no jantar. Já as amêndoas podem ser consumidas como parte de lanches da manhã e da tarde. O feijão branco e o grão de bico podem fazer parte das saladas, de hambúrgueres, croquetes, etc. Os leites vegetais podem ser substitutos daquelas preparações que usam leite animal, como bolos, biscoitos, panquecas e pães, ou serem consumidos como bebidas com frutas ou in natura.
Ah! Nunca esqueçam de tomar sol em horários adequados para ativar a absorção da vitamina D.
Para casos de intolerância a lactose, recomenda-se em geral, o consumo de produtos que tenham baixa quantidade de leite e produtos com adição de lactase. Geralmente, esses produtos vêm escrito no rótulo “sem lactose”. Com orientação médica, a pessoa pode também optar pelo consumo da enzima lactase comprada nas farmácias.
Em todos os casos é recomendado a leitura do rótulo do alimento. Lá dirá se aquele produto contém lactose, leite ou traços de leite.
Se você não consegue ler o rótulo, peça ajuda a alguém ou busque aplicativos no celular que o auxilie.
Tem mais dúvidas? Fale comigo pelo direct no instagram: @taizsiqueira.nutricionista
